Obra da Mãe

I don’t do any thing. Not one single thing. I used to bite my nails but I don’t even do that anymore.

Fevereiro 28, 2008

Arquivado em: Uncategorized — obradamae @ 11:39 am

Segundo os dados do PISA, afinal os computadores não são assim tão importantes - na sala de aula ou fora dela – para os resultados finais dos estudantes aos 15 anos.

Pior notícia ainda, os computadores nas salas de aula das escolas de 1º ciclo podem até ser contraproducentes – menos dinheiro investido noutras necessidades, menos tempo dedicado ao pacote básico (aprender a ler e a fazer contas), muito tempo dispendido a aprender técnicas que rapidamente passam do prazo de validade…

Enfim, não é só por cá, obviamente, que o deus da informática a todos enlouquece. Em qualquer país com acesso mínimo às “novas tecnologias”, dar aulas sobre computadores a miúdos de 15 anos é como ensinar o padre nosso ao vigário. Já ensiná-los a fazer pesquisa bibliográfica – ou seja, em livros de papel com muitas páginas e sem imagens – deveria ser objectivo mais urgente. Dizem os estudos – lamento não ter nenhum aqui à mão – que até aos 10-12 anos se lê muito mas que a partir daí é sempre a descer. Quem trabalha actualmente pelas universidades constata isso mesmo. Os textos são mal estruturados, a linguagem é de sms e a curiosidade intelectual é ainda muito mais rasteira que há vinte anos atrás…

Se a tecnologia ajuda a massificar o acesso a um certo tipo de informação, ajuda também a nivelar por baixo as exigências. E como não é o Bill Gates qualquer um, um dia destes os miúdos de 4 anos põem o forno lá de casa a funcionar com um click de telemóvel, sem nunca terem visto a batata e o peixe crus que lá estão dentro.

 

Fevereiro 28, 2008

Arquivado em: Uncategorized — obradamae @ 1:41 am

Nestes dias de quase-Primavera aparecem as joaninhas e nascem, que eu tenha contado desde ontem, quatro bebés.

 

Fevereiro 26, 2008

Arquivado em: Uncategorized — obradamae @ 4:40 pm

E se acham que uma casa com uma família de cinco ou seis ou oito pessoas é difícil de gerir, vejam só esta. São onze (em breve doze) pessoas, duas famílias, e só quatro é que são adultos!

 

Fevereiro 26, 2008

Arquivado em: Uncategorized — obradamae @ 4:31 pm

“O complicado não é ter três filhos. É ter três pessoas.” Anónimo

 Parte 76 – De como é mais fácil educar um filho do que um punhado (ou só dois) deles

Quando o Tigre era muito pequenino costumávamos olhar para as crianças da mesa do lado no restaurante e dizer que o nosso nunca iria comer com as mãos depois de ter idade suficiente para agarrar num garfo, que não iria bater com a cabeça no chão como forma de negação nem trepar para cima das mesas para se auto-exprimir. Quando o Tigre era pequenino ficava bem sentado durante a maior parte da refeição, não fazia birras em público e, se queria correr e trepar, tinha o jardim todo por conta dele. Quando o Tigre era pequenino era muito bem comportado. Até fazer 22 meses e nascer a Foca.

A Foca era bem comportada também, quando olhava para o Tigre e copiava o que ele fazia de bem. A Foca era muito mal comportada quando estávamos a dar atenção ao Tigre. Aí o Tigre reparava no mau comportamento da Foca e imitava-a. Os dois palhacinhos alegres lá foram crescendo, umas vezes bem, outras mal comportados. Até que o primeiro entrou na escola e começou a trazer novidades behaviouristas. Em breve a Foca, animal social que é, recriou as novidades à sua maneira e todo um nóvel ciclo de imbecilidades se desenrolou perante nós, pais mortificados.

Entra a Foca na escola, já com o Saguim na fotografia. A matemática é imbatível e dois a dividir por três deixa sempre resto e nenhum descanso. O ciclo continua, sempre com mais e mais achegas. Todos contribuem. Em todo o lado bebem influências. Uns são intérpretes apaixonados, outros, dependendo sempre do papel, mais atrapalhados ou menos talentosos. O palco, contudo, é em geral a nossa casa.

 Por isso passam, quando vamos a casa de alguém civilizado, como diziam os meus pais quando nos portávamos ignobilmente, por miúdos bem educados. Na maior parte das vezes – e quanto pior conhecem os anfitriãos – comem recatadamente com os talheres, pedem se faz favor e dizem obrigado, perguntam se se podem levantar da mesa (perguntam se se podem levantar da mesa! caramba, alguma coisa deu certo!) e tal e coisa. Não é para me gabar mas várias vezes fomos elogiados por tudo isso.

Quando vemos um miúdo sem irmãos a portar-se bem e ouvimos os pais elogiarem o seu único rebento, não podemos deixar de rir velhacamente para dentro. Dêem-lhe um irmão, ponham-no na escola, larguem-lhe as rédeas – é fácil segurar as rédeas quando é só um -, deixem a coisa fluir. Em breve verão o lado negro da socialização. Tem muita força. Nós sabemos. Também passámos por isso.

O que custa, uma vez adquirida a consciência de que não há miúdos bem ou mal comportados de per se, mas miúdos expostos a mais ou menos influências, é conter essa má criação, e contê-la pelo menos dentro das nossas quatro paredes. Gerir o conflito domesticamente e não transbordar para a praça pública. Esse é que tem sido o desafio. 

Se andássemos todos a “levantar asas” ao cortar o bife no refeitório da empresa, a interromper sistematicamente os mais velhos quando falam e a mostrar o rabo no supermercado seríamos considerados associais. Algures a meio da infância ou, o mais tardar, na puberdade, somos por fim, e por mais irmãos e “escola” que tenhamos, domesticados. Podemos andar por aí, à solta, sem incomodar ninguém. Ou seja, pelo menos sabemos manter a fachada. Para viver em sociedade, às vezes, bastaria só isso.

Mas é complicado, lá isso é.

 

Fevereiro 25, 2008

Arquivado em: Uncategorized — obradamae @ 3:12 pm

Ia escrever qualquer coisa sobre (aquelas famílias em que) os miúdos passam directamente de uma dependência do Noddy (até aos 5-6 anos !!!!) para uma dependência do High School Musical (a partir dos 7-8 anos!!!!!!!!) mas depois lembrei-me que cá em casa se anda a ver o Dr. No aos 7, 5 e 2 anos e resolvi calar-me.

 

Fevereiro 23, 2008

Arquivado em: Uncategorized — obradamae @ 11:38 pm

Nos últimos sábados de cada mês há atelier de pré-cinema na Cinemateca Júnior, no Palácio Foz. Hoje era sobre animação. Eles foram, como sempre, e fizeram um zoetrope.

No dia 19 de Abril será o primeiro aniversário da versão para crianças da Cinemateca. Ficamos à espera da programação.

 

Fevereiro 23, 2008

Arquivado em: Uncategorized — obradamae @ 11:24 pm

Quem cresceu nos anos 70 e 80 lembra-se bem do que era “o estrangeiro”. Começava em Badajoz, onde se ia aos caramelos. Ou em Ayamonte, quando chovia nas praias do Algarve e mais nada havia a fazer que atravessar, de barco, para o outro lado e esborrachar o nariz contra as vitrinas das lojas de juguetes. E se não era a Espanha, então o estrangeiro era muito longe, dos filmes que passavam na televisão com legendas, dos anúncios a marcas que cá não havia, das notícias sobre o IRA ou a guerra Irão-Iraque. Mandavam-se vir Levi’s da base dos Açores, onde havia sempre o primo de uma vizinha amiga de um parente distante que comprava (com dólares?) aos americanos lá estacionados. Ia-se almoçar fora (só em dias de festa) e podia-se escolher entre Trinaranjus (laranja ou limão) e Larangina C. Os mais crescidos bebiam Sumol. Os únicos estrangeiros que se conheciam eram os alemães da base de Beja que também veraneavam no Algarve ou os meninos da Associação de Amizade Portugal-URSS a quem, lembro-me bem, num Natal de 1979 mostrámos como se tirava o papel de trás dos autocolantes. Sabia-se dizer obrigado em muitas línguas. E quando se ia a Londres pela primeira vez descobria-se que afinal havia mesmo outro mundo.

Os bichos cá de casa, nascidos neste novo século, saíram de Portugal um punhado de vezes. O Tigre foi duas vezes a Londres, a Foca uma. (O Saguim, coitado, apanhado no meio da recessão económica, nunca andou de avião). Começam a aprender inglês aos cinco anos. Com um tio na América e o pai de uns amigos em Timor sabem o que são fusos horários. Têm amigos luso-ingleses e jamaico-brasileiros. As primeiras férias de Verão da Foca foram passadas com dois meninos guatemaltecos que vivem perto de Chicago. Recebem postais da Suíça, de Cabo Verde, de Amesterdão e do Cambodja. A casa onde antes vivíamos é agora de um amigo inglês. Hoje terão cá a jantar dois meninos franco-italianos e uma menina goesa-alemã. Arranham palavras de várias línguas, comem tacos, pesto e paparis, reconhecem o Empire State Building, a Ópera de Sydney e a Torre Eiffel nas fotografias e apontam no mapa, sem hesitações, Madagáscar, Itália, Tasmânia e a Terra do Fogo. O Tigre acha esquisito haver países que não usam o euro. E quando tentam ler o menu dos DVD riem-se com as letras todas mal feitas do hebraico e do búlgaro.

Para esta geração já não há “o estrangeiro”. O mundo está mesmo a entrar por aqui dentro e nós estamos, todos, no mundo. Era bom que a globalização fosse só isto. Para eles, por enquanto, é, e ainda bem.

 

Fevereiro 18, 2008

Arquivado em: Uncategorized — obradamae @ 2:31 pm

E o parque avança. Mais pormenores, dados em primeira mão por quem lá trabalha:

1) Mais duas semanas e está pronto. O facto de serem brinquedos pouco abertos não é de preocupar. Os miúdos acabam sempre por criar o seu parkour quando se cansam das soluções oferecidas de mão beijada.

2) O piso vai ser daquela borracha proveniente, ao que consta, de pneus reciclados. Recebe o amén das neuroses nacionais – limpeza e segurança – e, apesar disso, não garante nem uma nem outra.

Mas avança e em breve haverá mais miúdos, de novo, no Jardim.

 

Fevereiro 18, 2008

Arquivado em: Uncategorized — obradamae @ 2:00 pm

Para quem for a Bruxelas. Ontem, outro dia diluviano, apetecia ter por cá.

Fomos ver a exposição de máquinas de Leonardo da Vinci. Uma ideia boa – a partir dos desenhos de Leonardo artesãos italianos contemporâneos construiram as máquinas apenas com materiais que existiam no Renascimento – mas que, na prática, sabe a muito pouco. As máquinas têm o dístico “Não tocar”, o que é um contra-senso bem entendido pelos miúdos, que se fartaram de dar à manivela, puxar roldanas e girar rodas dentadas. Mas, realmente, a construção deixa a desejar e quase todas as máquinas que “funcionam” não parecem servir para nada.

De qualquer forma, o escafandro, as asas, o pára-quedas e o barco que se pedala com as mãos valem a visita. O Tigre é que estava amuado com a pouca eficácia e reduzido número de máquinas expostas. Esperava uma espécie de Vê, Faz, Aprende dos séculos XV-XVI.

 

Fevereiro 18, 2008

Arquivado em: Uncategorized — obradamae @ 12:58 pm

Traduzir um texto sobre a história natural de Macau, e em especial a avifauna nas fontes dos séculos XVII e XVIII, ganha uma nova dimensão quando o Saguim trepa para o colo e brinca com dois robots que deitam água sobre o teclado.