O governo quer estender o conceito de “escola a tempo inteiro” ao 5º e 6º anos do 2º ciclo. A ideia, concretamente, é alargar um horário mais ou menos civilizado (aulas apenas de manhã 5 vezes por semana com 2 vezes por semana à tarde; ou aulas de tarde 5 vezes por semana com 2 vezes por semana de manhã) para um horário de trabalho à adulto (das 9 às 18h, mais coisa menos coisa, todos os dias da semana). As famigeradas disciplinas de “enriquecimento curricular” passarão a ter uma carga tal que as manhãs/tardes não bastam para enjaular os miúdos. Mais, a seguir o que já se faz no 1º ciclo, as disciplinas curriculares serão misturadas com as de “enriquecimento” pelo horário fora. Ou seja, ter-se-á “Área Projecto” às 9 da manhã, seguida de “Formação Cívica”, e a Matemática poderá ser só às 16h, quando já ninguém pode com uma gata por um rabo. O grande argumento para a extensão desta medida ao 2º ciclo é, suponho que entre muitos outros, a adaptação às necessidades da família.
Na Pública de hoje o Daniel Sampaio diz uma coisa que não tenho lido nem ouvido em mais lado nenhum. O Ministério da Educação, se quer realmente prestar um serviço às famílias em Portugal, devia trabalhar para que os outros ministérios e instituições, públicas e privadas, deixassem os seus empregados flexibilizar o horário de trabalho para irem buscar mais cedo os filhos à escola.
A infância feliz devia ser uma infância com menos tempo de escola. O sucesso escolar também passará por aí.